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"O Dez" estreia a 1 de Março no SAPO
sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010
“Dez histórias. Dez moedas malditas circulam entre nós” e compõem a série “O DEZ”, um projecto multiplataforma resultante da parceria do SAPO, RTP e Stopline.

Os episódios são transmitidos um por dia no SAPO a partir de 1 de Março, em http://odez.sapo.pt. A RTP também irá transmitir a série em horário nobre, em dois blocos, nos dias 13 e 14 de Março.

“São histórias enigmáticas, que funcionam dentro do registo do fantástico. Às vezes parecem quase de terror (...) sempre com suspense e sempre com um final muito duro e violento. É a maldição de dez moedas que foram utilizadas para comprar a traição e a morte de um personagem mítico da história de Portugal – Viriato. O resto vão ver...”, disse Leonel Vieira, produtor do projecto, momentos antes da ante-estreia desta nova série, composta por dez episódios, que decorreu ontem no Fórum Telecom.

    
A qualidade cinematográfica é o factor de diferenciação eleito por Abílio Martins
“O lado inovador de se fazer ficção para a internet” e o “perceber que era um projecto multiplataforma” convenceram Leonel Vieira, sócio da Stopline, a produzir o projecto apoioado pelo SAPO e pela RTP.

Para o SAPO a aposta em conteúdos multiplataforma não é nova. Abílio Martins, administrador PT, recordou o sucesso de “Os Incorrigíveis” e “T2 para 3”. Com estes “100 minutos de grande cinema” que surgem com "O Dez", o SAPO reforça a aposta em “conteúdos premium para a internet”. "A qualidade cinematográfica" é eleita pelo administrador como o factor diferenciador do projecto. 
 

 

Leonel Vieira salientou a natureza inovadora e multiplataforma do projecto

“O Dez” poderá ser visto na internet, no portal SAPO, no telemóvel, através do SAPO Mobile, na televisão e, inclusivamente, no Meo Videoclube.

Foi precisamente a natureza inovadora que determinou o investimento da RTP no projecto. De acordo José Fragoso, director de programas da RTP, este não se trata de mais um projecto. "O Dez" apresenta características desafiantes, é multiplataforma, e assume-se já como uma referência na ficção. Esta é uma nova aposta da RTP em formatos distintos, representativa do apoio da estação ao cinema português.

A ideia original tem associado o nome de J. B. Mota, que explica que esta série não “tem um início, um meio e um fim”. Trata-se de uma história alusiva à “lenda da Aldeia das Dez, dez moedas, dez mulheres”, em que são feitas “dez interpretações diferentes dessa história da responsabilidade de vários realizadores, vários autores”, apesar de haver “uma história em comum”, esclarece o autor. A ideia foi posteriormente apresentada a Leonel Vieira, que produziu o projecto e contou com a associação do SAPO e da RTP.

 
J.B. Mota é o autor da ideia original de "O DEZ"
“As dez moedas de sangue” dão o mote para histórias de mistério, rodadas em Lisboa, durante quatro semanas, que contam com a produção de Leonel Vieira e um elenco de luxo: Ivo Canelas, Albano Jerónimo, São José Correia, António Cordeiro, Elisa Lisboa, Anabela Teixeira, Dinarte Branco, entre outros. A realização ficou a cargo de Paolo Marinou-Blanco, Pedro Varela, João Nunes e Leandro Ferrão. Conheça a ficha artística e técnica aqui.

“Espero que gostem”, disse Leonel Vieira, momentos antes da exibição de “O barbeiro”, “O presente”, “Gnosis” e “Anestesia” na ante-estreia. 

Leonel Vieira informou, ainda, que dois dos episódios “Gnosis” e “Anestesia” foram submetidos a concurso no festival de cinema FANTASPORTO 2010. A exibição está marcada para o dia 28 de Fevereiro.

 

José Fragoso, director de programas RTP, Leonel Vieira, produtor de "O Dez", e
Abílio Martins, administrador PT


Dez moedas, dez histórias

Prólogo
Quando Cipião, general romano, quis conquistar as terras da Lusitânia,  encontrou pela frente um chefe guerreiro destemido e audaz – Viriato. Para o derrotar, Cipião recorreu ao suborno e à traição. Um traidor foi contratado para fazer o que legiões de soldados não tinham conseguido.

Minuros, era esse o nome do traidor, nunca chegou a gozar a recompensa da sua traição, o preço do sangue de Viriato – dez moedas malditas que, com a sua morte prematura, se perderam na noite do tempo.

Muitos séculos se passaram até que dez mulheres viúvas encontraram por acaso, no local que passou a ser conhecido por Aldeia das Dez, esse tesouro esquecido pelas gerações dos homens. E, com essa descoberta, as dez moedas de sangue voltaram a circular entre nós.

O Barbeiro
Rita é uma jovem estudante de cinema que visita o Arquivo Nacional de Cinema para ver  um filme para  a sua tese sobre os actores do cinema mudo português. É recebida com antipatia por um sinistro arquivista que, contrariado, a leva ao interior do arquivo. Aí Rita descobre um outro filme, “O Barbeiro”, cuja existência desconhecia até ao momento, mas o arquivista não a autoriza a vê-lo.

Movida pela curiosidade, Rita decide desobedecer ao arquivista e consegue roubar a lata do filme cobiçado. Lá dentro, além da bobina de película, encontra uma moeda misteriosa. Mas é quando Rita começa a assistir, fascinada, à história sangrenta contada em “O Barbeiro” que os acontecimentos dão uma volta inesperada.

Mudar de Vida
Belmiro, um sem-abrigo que perdeu tudo menos a malandrice, não consegue resistir à cobiça quando vê a moeda preciosa que Luís, um outro sem-abrigo, recebeu de Rita, uma jovem voluntária que distribui sopa de carne aos moradores da rua. Quando sabe que Rita disse ao colega para lhe  devolver a moeda no dia em que decidisse deixar aquela vida, Belmiro convence-o, com tretas e patranhas de maldições antigas, a enterrá-la num local ermo.

É claro que o seu objectivo é ir depois desenterrar a moeda, para ser ele a devolvê-la a Rita. Mas quando procura a rapariga para o fazer, o resultado é muito diferente daquele que imaginava.

Gnosis
Benjamim é escritor e vive fechado no seu apartamento, obcecado com a ideia de que precisa de um sucesso para conseguir a independência financeira. Quando o seu reflexo no espelho lhe propõe um pacto fáustico, Benjamim acaba por aceitar, desde que lhe seja dado um sinal.

A chegada de Alexandre, um miúdo vizinho que anda em tratamentos de quimioterapia, parece ser o sinal que Alexandre pediu. O escritor oferece-lhe uma moeda antiga que anda sempre consigo, e com isso põe em marcha uma trágica cadeia de acontecimentos que, por mais que se esforce, já não consegue travar.

Amnésia
Filipe acorda estendido no chão, numa sala de uma casa abastada, a sangrar da cabeça, com uma pistola caída ao lado. Não se lembra de nada. Em ambiente de grande urgência e tensão, duas mulheres jovens, Inês e Sara, contam-lhe versões contraditórias da sequência de eventos que o conduziram aquele local naquele momento. Em comum nas duas histórias, apenas o facto dos três estarem a assaltar a casa para roubar uma antiga e preciosa moeda romana.

Em quem acreditar? Em Inês, que diz ser sua namorada; ou em Sara, que afirma ser sua irmã? Uma decisão errada, e as consequências podem ser dramáticas...

Cara ou coroa
João é um estudante universitário que decide tudo na vida jogando ao ar uma moeda antiga. Cara ou coroa  para responder A ou B num exame, seguir para a direita ou para a esquerda, fazer isto ou aquilo. Mas um dia  conhece Maria, uma colega da universidade, que questiona a sua forma de conduzir a vida.

Fascinado com Maria, discute profusamente com ela as questões filosóficas associadas à sorte e ao destino, até alcançar um objectivo bem mais prático: enfiá-la numa cama de hotel. Mas Maria também tem planos próprios, e quando lhe pergunta se ele também vai decidir o futuro dos dois com um “cara ou coroa”, sabe muito bem o que quer conseguir.

Esqueleto no Armário
Numa realidade alternativa, mas que espelha muitos aspectos da nossa, os mortos-vivos andam entre os cidadãos comuns, integrados na sociedade mas simultaneamente perseguidos e marginalizados. Madalena é um deles – uma zombie que trabalha num escritório, mantém um casamento feliz e sonha em adoptar uma criança, já que dar à luz está fora do seu alcance.

Mas quando, num mesmo dia, é despedida, vê recusado o seu pedido de adopção e perde a moeda-talismã que tinha desde o dia da sua “morte”, Madalena resolve tornar-se uma activista dos direitos dos mortos-vivos. Uma opção que acaba por concretizar o seu sonho, embora não da maneira que ela esperava.

Manobra de Heimlich
Rui perdeu um filho bebé, que morreu sufocado quando estava à sua guarda, com uma estranha moeda entalada na garganta. Desde aí vive obcecado com óbitos e probabilidades, tentando encontrar um padrão universal que lhe permita um dia alterar o destino e vingar-se da morte.

Enfiado numa sala coberta de recortes de jornais, entre notícias de pescadores que morrem electrocutados e costureiras que falecem cerzindo peúgas, Rui só sai de lá para prosseguir as suas investigações e consolar as famílias dos falecidos. Mas é quando investiga o aparente suicídio de um professor universitário que consegue finalmente os dados que esperava para pôr termo às pesquisas e conseguir um pouco de paz na sua vida.

O Presente
Edgar tem uma vida monótona e triste, sonhando em ser outra pessoa enquanto sobrevive entre a sua deprimente casa dos subúrbios e as reprimendas de um chefe que deseja ver morto. Nos momentos em que se sente mesmo mal, procura o antídoto no seu refúgio secreto: uma sala onde guarda, ainda por abrir, todos os presentes que recebeu na juventude. É aí, num desses presentes ainda fechados, que descobre uma moeda antiga, acompanhada por uma mensagem misteriosa de um amigo de que mal se recorda: “Cuidado com o que desejas”.

Como que de propósito, ao regressar ao trabalho, Edgar encontra o chefe morto num assalto. A coincidência anunciada pela chegada da moeda leva-o a procurar o tal amigo, Pedro. Mas ao visitar a casa deste encontra muito mais do que esperava – a prova de que nem sempre é bom que os sonhos se realizem.

Anestesia
Timóteo vive, sozinho, num armazém sinistro, algures junto a um porto de uma grande cidade. Procura o isolamento absoluto, entregando-se a rituais estritos que repete diariamente, sempre da mesma maneira e pela mesma ordem: acordar; passar pelo corpo nú um aparelho detector de metais; marcar num quadro de anatomia humano o ponto onde o aparelho dá sinal; fazer exercício; comer pizza, que lhe vêm deixar à porta; estudar manuais de cirurgia e anatomia; e contratar prostitutas anónimas, nas quais pratica os conhecimentos aprendidos nesses manuais - com resultados dramáticos para elas.

Inevitavelmente, um dia esta rotina teria de ser quebrada. Isso acontece quando dois eventos irrepetíveis coincidem no tempo: por um lado, Timóteo afeiçoa-se por Amanda, a mais recente das prostitutas que contrata, e dorme com ela, contrariando as suas regras não escritas; por outro, quando acorda, na manhã seguinte, o detector de metais dá sinal na região do seu abdómen, deixando-o num estado de grande excitação. Timóteo pede a Amanda para partir imediatamente, mas ela oferece-se para o ajudar em tudo o que ele precisar. E ele, subitamente frágil, aceita. Uma decisão que virá mudar irreversivelmente o seu destino.

Epílogo
Uma equipa de filmagens filma a lenda das dez moedas malditas, mas as coisas não correm bem. O realizador é Rui, que conhecemos da “Manobra de Heimlich”, e está descontente com a história escrita pelo guionista, Benjamim (“Gnosis”). Outras caras conhecidas de outras histórias de “O Dez” fazem parte da equipa de filmagens.

No fim de mais um dia azarado de rodagem, Rui decide reunir com Benjamim para rever o guião, e pede à velha aderecista, Matilde, para ficar com uma das moedas para inspiração. Matilde acede com relutância, e os dois ficam sozinhos a trabalhar. Mas é quando a aderecista regressa para recolher a moeda que as fronteiras entre a ficção e a realidade se vão esbater de vez, num volta-face inesperado que termina nos tenebrosos corredores do arquivo de cinema.

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