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“As telefonistas são altas e têm os braços grandes”
sexta-feira, 16 de Abril de 2010
O Núcleo Museológico de Vilar da Fundação PT recebeu em 2009 cerca de 825 visitantes, que recuaram algumas décadas para conhecerem os primeiros 50 anos das telecomunicações em Portugal.

“As senhoras que trabalham lá são telefonistas. As telefonistas são altas e têm os braços grandes para poderem chegar aos fios”. Da experiência que viveu no Núcleo Museológico, a Matilde, do Jardim de Infância da Areia, Vila do Conde, destacou esta característica das telefonistas. Mas as reacções são diversas. O Ricardo gostou particularmente do “telefone preto que tinha uma manivela”. Já o Diogo admite: "Gostei mais do telefone de ouvir com as duas orelhas". A Mónica reconhece que gostou de brincar nos telefones e o Alexandre de pôr o capacete na cabeça. Refere que as cadeiras eram de madeira e que “o senhor que inventou o telefone chamava-se Alexandre Bell”.

O Núcleo Museológico de Vilar
foi fundado em 1983

Ao longo dos 14 anos na coordenação deste Núcleo, Manuela Oliveira recorda muitas das reacções positivas dos visitantes, mas destaca uma: “A experiência que mais me tocou foi receber um grupo de pessoas portadoras de algum tipo de deficiência. De ter acompanhado uma menina invisual e fazê-la sentir todos os modelos de telefones antigos, o tipo de materiais em que eram executados (madeira, metal, plástico) e também as centrais telefónicas e cabines".

Desta forma, o Museu cumpre uma importante missão de tornar viva a história das telecomunicações em Portugal. As centrais telefónicas de comutação manual podem não ser inovadoras nos dias de hoje, mas inovadora é em contrapartida a componente pedagógica deste espaço museológico, em que a interacção com os objectos expostos e o respectivo manuseamento é o ponto de partida para que crianças, jovens e adultos conheçam realmente as telecomunicações de outrora.

No museu é retratada a implementação do telefone
até ao advento da comutação automática
Da missão pedagógica que este espaço cultural cumpre, Manuela Oliveira destaca a diversidade de visitantes em termos etários e geográficos. A abrangência geográfica ultrapassa os limites da zona metropolitana do Porto para incluir “escolas de Trancoso, Peso da Régua, Póvoa de Lanhoso, Viana do Castelo e outras localidades”.

No âmbito escolar, algumas visitas “são enquadradas pela disciplina de História que, ao abordarem a revolução técnica e tecnológica do séc. XIX, pretendem proporcionar uma aula prática sobre a invenção do telefone; (…) outras são enquadradas pela disciplina de Português, no tema vasto da Comunicação; (…) há até cursos de atendimento e secretariado que nos procuram. Recebemos também visitas de adultos, seja integrando visitas culturais, organizadas por Câmaras Municipais, instituições particulares (as Misericórdias), grupos de amigos ou pessoas que passam perto e têm curiosidade em visitar-nos”, revela Manuela Oliveira.

As visitas desenvolvem-se em duas etapas. Numa primeira fase, é realizada uma apresentação “sobre a invenção do telefone, a sua introdução em Portugal e o desenvolvimento da rede telefónica até à primeira metade do séc. XX”.

Posteriormente, a contextualização histórica dá lugar a “uma demonstração prática do funcionamento das centrais telefónicas de comutação manual, realizada por uma telefonista, Rosa Basbosa, que estabelece várias ligações para os equipamentos instalados dentro do Núcleo Museológico e para cabines instaladas no exterior”. É nesta altura que os visitantes têm a oportunidade de fazer o papel de telefonistas.

O Núcleo Museológico de Vilar, que retrata a implementação do telefone no país até ao advento da comutação automática, da responsabilidade da Fundação PT, integra a rede de museus da Câmara Municipal de Vila do Conde. Foi fundado em 1983, tendo sido criado no âmbito do Ano Internacional das Telecomunicações. O espaço está aberto ao público à terça e quinta-feira, das 10h às 12h e das 14 às 16h, em Vilar, Vila do Conde.


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